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Alerta: Bets já alcançam 1 em cada 5 estudantes
Pesquisa revela que 20,4% dos estudantes já apostaram online. - Foto: Reprodução IA
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Alerta: Bets já alcançam 1 em cada 5 estudantes

Levantamento nacional mostra que 9,5% dos alunos de até 11 anos já apostaram e que o índice chega a 49,7% no 3º ano do ensino médio
12/09/2026 12:00 Tempo estimado de leitura: 4 minutos 0 visualizações Comunhão

Pesquisa revela que 20,4% dos estudantes já apostaram online. - Foto: Reprodução IA


Um levantamento nacional acende um alerta sobre a presença das apostas online entre crianças e adolescentes brasileiros. Segundo pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmam já ter feito apostas pela internet. O estudo ouviu 1.912 alunos de 191 escolas em todo o país e mostra que o contato com as bets começa muito antes da maioridade.

O cenário se agrava conforme os estudantes avançam na trajetória escolar. Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, 16,2% disseram já ter apostado. No ensino médio, o índice sobe para 27,3%. Entre os estudantes do 3º ano do ensino médio, chega a 49,7%, praticamente metade dos entrevistados. Aos 17 anos, 32,3% afirmaram já ter feito apostas, percentual que alcança 40,1% entre os maiores de 18 anos.

O dado talvez mais preocupante seja a idade de entrada nesse universo. Entre estudantes de até 11 anos ouvidos pela pesquisa, 9,5% afirmaram já ter apostado online. A pesquisa indica, portanto, que o contato com as plataformas começa ainda na infância e se amplia ao longo da adolescência. O acesso de menores de 18 anos às apostas é proibido pela legislação, o que levanta questionamentos sobre a capacidade de impedir que crianças e adolescentes cheguem às plataformas.

A exposição também apresenta diferença significativa entre meninos e meninas. Os meninos aparecem com maior frequência entre os estudantes que relatam já ter apostado, especialmente no ensino médio. O levantamento aponta ainda que a prática aparece tanto entre alunos de escolas públicas quanto privadas, mostrando que o problema não está restrito a um determinado perfil socioeconômico.

Além da dimensão comportamental, existe uma consequência financeira expressiva. Estimativas associadas ao levantamento apontam que as perdas acumuladas pelos estudantes podem ultrapassar R$ 1 bilhão. O número ajuda a dimensionar o tamanho do problema, mas deve ser apresentado como estimativa, e não como valor efetivamente medido em cada aposta realizada pelos entrevistados.

O fenômeno também revela uma mudança na relação de crianças e adolescentes com o dinheiro. As bets são apresentadas como entretenimento, mas podem introduzir precocemente a ideia de que ganhar dinheiro depende da sorte ou de um palpite certeiro. Para famílias, escolas e igrejas, o desafio passa a ser discutir não apenas o risco de perder dinheiro, mas também conceitos como responsabilidade, autocontrole, consumo, trabalho e o valor atribuído ao dinheiro.

No ambiente cristão, o tema ganha uma dimensão ainda mais ampla. A Bíblia não trata das apostas esportivas modernas, mas apresenta princípios recorrentes sobre domínio próprio, ganância, amor ao dinheiro, responsabilidade e administração dos recursos. Textos como 1 Timóteo 6:9-10, que alerta para os perigos associados ao desejo de enriquecimento, e Provérbios 13:11, que contrapõe ganhos obtidos rapidamente à construção paciente de patrimônio, podem servir como ponto de partida para conversas com adolescentes. O objetivo não deve ser apenas dizer “não aposte”, mas ajudar o jovem a compreender por que a promessa de dinheiro fácil pode ser uma armadilha.

O levantamento coloca, assim, um novo desafio diante de pais e educadores: as bets não estão apenas nos celulares dos adultos. Elas já chegaram ao universo escolar e alcançam estudantes que, em muitos casos, ainda estão construindo sua relação com dinheiro, risco e responsabilidade. Quando quase metade dos alunos do último ano do ensino médio relata já ter apostado, o fenômeno deixa de ser um comportamento isolado e passa a exigir atenção de famílias, escolas, autoridades e comunidades de fé.

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