De quem é a culpa? Homem usa “saidão” para cometer crime que choca o país
Preso beneficiado pela saída temporária é procurado após duas jovens serem encontradas em cárcere privado e mãe adotiva do suspeito ser localizada morta
Leonardo ostenta vasta ficha criminal - (crédito: Material cedido ao Correio)
A Polícia Militar e a Polícia Civil do Distrito Federal procuram Leonardo Ferreira de Almeida, suspeito de matar a própria mãe adotiva, Francisca Almeida da Silva, de 70 anos, após manter duas jovens em cárcere privado em Samambaia (DF).
O caso foi registrado na manhã desta segunda-feira (10). Segundo as autoridades, Leonardo havia recebido o benefício do “saidão” do Dia dos Pais. Ele já responde a processos por estupro e homicídio.
De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), duas jovens, de 19 e 20 anos, relataram ter sido dopadas, estupradas e mantidas amarradas dentro do imóvel. Uma delas conseguiu escapar e pedir ajuda.
Quando os policiais chegaram à residência, as jovens informaram que havia uma mulher idosa no local. Francisca foi encontrada caída em um dos quartos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e confirmou a morte.
A dinâmica e a motivação do homicídio ainda são investigadas. Leonardo deixou o local e passou a ser procurado pelas forças de segurança.
O problema vai além de um caso
O caso reacende o debate sobre a saída temporária de presos e coloca uma pergunta difícil diante da sociedade:
Até onde o Estado deve permitir que um condenado deixe a prisão?
Em 2024, o Congresso Nacional aprovou mudanças que restringiram as hipóteses de saída temporária, eliminando algumas possibilidades de saída em feriados.
Mas a pergunta permanece: as mudanças foram suficientes?
Durante a apuração desta reportagem, não foi localizada uma base nacional oficial que permita medir, com precisão, quantos crimes são cometidos durante períodos de saída temporária.
Isso também precisa ser discutido. A sociedade deveria saber quantos presos recebem o benefício, quantos retornam, quantos não retornam e quantos são posteriormente envolvidos em novos crimes.
Ressocializar é importante. Mas a segurança da população também é responsabilidade do Estado.
Quando um preso que recebeu autorização para deixar temporariamente a prisão é acusado de cometer crimes tão graves, é legítimo questionar os critérios utilizados para conceder o benefício e a capacidade de fiscalização.
Talvez seja hora de o Brasil voltar a discutir seriamente a saída temporária — inclusive a possibilidade de abolir definitivamente o benefício, especialmente para condenados que representam maior risco à sociedade.
Porque uma segunda chance não pode significar uma nova vítima.