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Narcoreligião em MT: operação investiga grupo suspeito
As mulheres ligadas ao projeto religioso integravam um grupo que realizava viagens ao Rio de Janeiro, frequentava áreas dominadas pela facção criminosa
Religião

Narcoreligião em MT: operação investiga grupo suspeito

Polícia Civil aponta indícios de que atividade missionária era utilizada para prestar apoio comunicacional, financeiro e logístico a integrantes de organização criminosa; investigação segue em andamento.
17/07/2026 23:09 Tempo estimado de leitura: 5 minutos 43 visualizações Evangeliza Brasil com PJC-MT

As mulheres ligadas ao projeto religioso integravam um grupo que realizava viagens ao Rio de Janeiro, frequentava áreas dominadas pela facção criminosa


A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã da quinta-feira (16), a Operação Fariseus, que investiga integrantes de uma mesma família suspeitos de utilizar um projeto religioso para favorecer membros de uma facção criminosa. Segundo a investigação, há indícios de que a atividade missionária declarada teria sido desvirtuada para oferecer apoio comunicacional, financeiro e logístico à organização.

A operação cumpriu um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos. A Justiça também autorizou medidas cautelares, como a quebra de sigilo telefônico, telemático e bancário dos investigados, além da suspensão temporária do ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo de Cuiabá, com base nas investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

O que a investigação apurou

De acordo com a Polícia Civil, as diligências tiveram início após uma denúncia anônima que informava que integrantes da família utilizavam um projeto religioso para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde supostamente fariam a entrega de celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a líderes da facção.

Embora essa acusação específica ainda não tenha sido comprovada, a análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça revelou um amplo conjunto de fotografias, vídeos, conversas e movimentações financeiras que, segundo os investigadores, demonstram que a relação dos investigados com presos, foragidos e lideranças criminosas extrapolava a assistência religiosa.

As investigações apontam que a suposta atividade missionária era utilizada para manter contato com detentos, intermediar recados, aproximar familiares e lideranças da facção, movimentar recursos financeiros e facilitar a inserção do grupo junto a uma organização criminosa com atuação no Rio de Janeiro.

Também foram identificadas conversas telefônicas com presos, comunicação frequente com conselheiros da facção, circulação de informações relacionadas ao ambiente prisional e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Segundo a Polícia Civil, os investigados recebiam valores atribuídos a presos e lideranças criminosas, utilizando contas de familiares e terceiros para realizar fracionamentos, triangulações bancárias, depósitos em dinheiro e sucessivos repasses, condutas que podem caracterizar lavagem de dinheiro.

Os investigadores ainda apuram indícios de custeio de viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos com recursos de origem ilícita.

Viagens ao Rio de Janeiro

Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Civil foram as viagens frequentes realizadas por integrantes do grupo a comunidades dominadas por facções criminosas no Rio de Janeiro.

Durante a investigação, foram encontradas fotografias e vídeos que mostram investigados ao lado de criminosos foragidos, lideranças da organização e homens armados com fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores personalizados com referências à facção.

As imagens também registram crianças portando armamentos e investigados manipulando armas de fogo.

Além disso, chamadas de vídeo obtidas durante a investigação mostram mulheres ligadas ao projeto religioso conversando diretamente com líderes foragidos da organização criminosa. Em um dos registros, um dos criminosos participa da videochamada enquanto um comparsa realiza disparos de fuzil em uma comunidade dominada pela facção.

O que é a narcoreligião?

Embora a Polícia Civil não utilize oficialmente a expressão "narcoreligião" para classificar a investigação, o caso apresenta características semelhantes às descritas por especialistas em segurança pública quando organizações criminosas utilizam estruturas, discursos ou projetos religiosos para fortalecer sua atuação.

O termo narcoreligião é empregado em estudos acadêmicos para descrever situações em que grupos criminosos se apropriam da credibilidade da fé, de projetos missionários ou de símbolos religiosos para conquistar influência social, facilitar a comunicação entre seus integrantes, ocultar atividades ilícitas ou ampliar seu poder sobre determinadas comunidades.

É importante destacar que narcoreligião não é uma tipificação penal prevista na legislação brasileira, mas um conceito utilizado para analisar estratégias adotadas pelo crime organizado.

Crimes investigados

Os investigados respondem, nesta fase da investigação, por suspeita de envolvimento com os crimes de:

integrar organização criminosa;
lavagem de dinheiro;
corrupção de menor;
tortura.

A Polícia Civil ressalta que o grau de participação de cada investigado ainda está sendo individualizado e que o inquérito segue em andamento.

Origem do nome "Fariseus"

Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência ao suposto uso da atividade religiosa como instrumento para promover aproximação, comunicação e suporte a integrantes de organização criminosa, em desvio da finalidade declarada.

Investigações continuam

A Polícia Civil informou que a análise dos materiais apreendidos continuará nas próximas semanas. O objetivo é rastrear a movimentação financeira, individualizar a conduta de cada investigado e concluir o inquérito policial, que poderá resultar no indiciamento dos envolvidos.

Os investigados são considerados suspeitos e têm assegurados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

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